Confira o nosso enredo para o Carnaval Virtual

Para o Carnaval Virtual de 2021, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual Mocidade Unida da Mooca apresenta o enredo “Metuktire: A saga de um gigante curumim”.

A narrativa foca na luta do notório líder indígena Raoni Metuktire e é contada a partir do surgimento dos primeiros homens Mebêngokrê, povo de Raoni, até Guajupiá, a terra prometida aos indígenas. Um enredo atual ,necessário e que segue a linha crítica de enredo da Mocidade Unida da Mooca.

SINOPSE

Metuktire – A Saga de um Gigante Curumin

De Mapiá, o céu xinguano, homens celestiais espiam o ermo que se encontra abaixo deles. Através de uma corda mágica, descem a esse lugar. Paralelamente, a primal cunhã, filha da deusa da chuva, briga com sua mãe. Furta desta muitas sementes, segue os homens pela corda e, ao chegar na terra, presenteia-os com elas. Os homens então plantam essas sementes até onde os olhos não mais podem enxergar. Assim surgem a ingente Pindorama e o valente povo Mebêngocrê. Depois de povoarem parte da terra apelidada pelos kariwas de Amazônia, os Mebêngocrê passam a ser conhecidos também como Caiapós, ou “parecidos com macacos”, pois em alguns de seus rituais, usavam máscaras de macaco.

É deste grupo que, na década de 1940, nasce o pequeno grande curumin, redentor de seu povo e lutador pelos direitos da terra: Raoni Metuktire. Desde jovem, distingue-se dos outros pelo seu botoque, disco implantado na pele do lábio inferior e que denota bravura. Ainda jovem, ele presenciou o kariwa derrubando árvores com tratores e correntes, devastando assim sua terra. Nessa tensão entre Caiapós e brancos, muitos são da ideia de que os indígenas deveriam guerrear. Raoni, contudo, propõe o uso da inteligência e, valendo-se das habilidades em língua portuguesa que aprendera outrora com os irmãos Villas Bôas, representa as etnias da região (Mebêngocrês, Suyas, Kajabis e Iaualapitis) em negociações com o Estado brasileiro pela demarcação dos territórios indígenas. Segundo o próprio: “Somos poucos. Se lutarmos sozinhos, morreremos. Antes de lutarmos, precisamos nos unir.”A saga indígena na peleja por demarcações foi registrada em um documentário que, no ano de 1978, ficou mundialmente conhecido. Com isso, Raoni ganha projeção internacional.

Na década de 1980, com o poder de sua palavra, representa bravamente os povos xinguanos contra o maquiavélico projeto Kararaô, cujo objetivo era construir uma enorme barragem no rio Xingu, o que desviaria o curso do rio, alagaria a mata virgem e destruiria fauna e flora locais. Um verdadeiro ecocídio! Por muito tempo, a pressão dos povos liderados por Raoni surtiu efeito. Mas infelizmente na década de 2010, o projeto mudou de nome e o monstro de concreto renasceu sob a alcunha de Usina de Belo Monte. Além de barragem, o kariwa também ergueu uma usina hidrelétrica sob o pretenso objetivo de progresso. Progresso pra quem? Raoni: “No passado fomos enganados. Prometeram para nós e fomos enganados. Nos deram dinheiro. Mas dinheiro acaba, terra continua.”

Raoni presente! Através de suas importantes falas em eventos internacionais, de suas reuniões com políticos influentes e artistas reconhecidos, da inauguração da Fundação Selva Virgem, da constante denúncia do garimpo ilegal e do esvaziamento da FUNAI – “a FUNAI é dos indígenas e não dos ruralistas” – renasce no povo do mundo a consciência ancestral sobre a biodiversidade, sobre a terra, sobre nossos corpos e espíritos. O indianismo e o bem-viver de Raoni são uma necessidade global e urgente.

A luta de Raoni Metuktire, o pequeno grande curumin Caiapó, é a luta de Sônia Guajajara, de Ailton Krenak, de Daniel Munduruku, de Telma Taurepang, de Davi Kopenawa. É a luta dos Tupinambás extintos em busca obstinnada de sua terra sem males: Guajupiá. Essa luta é minha. É sua. É da Mocidade Unida da Mooca. Se não lutarmos juntos, como lutaremos? Se não nós, quem? Se não agora, quando?

Autores do enredo: Alberth Barbosa, Beto Monteiro e Luana Araujo.